quinta-feira, 29 de junho de 2023

OLHÃO: EXCESSO DE TURISMO TEM CONSEQUÊNCIAS

 Um pouco por toda a Europa tem vindo a ser contestada as politicas de turismo. Espanha, Italia, Holanda, França são paises onde decorrem manifestações contra o excesso de turismo pelas consequências que tem para o meio ambiente e para os residentes.

Em França ponderam-se restrições por forma a combater o excesso de turismo, como se pode ver em https://www.voltaaomundo.pt/2023/06/20/franca-acaba-com-o-turismo-de-massas/noticias/878374/?utm_source=ojogo.pt&utm_medium=recomendadas&utm_campaign=rec_edit_externo.

E por cá?

Quem promove e aposta tudo no turismo é o poder politico, recorrendo ao marketing promocional, à participação em feiras internacionais de turismo ou de imobiliario, como tem sido o caso da câmara municipal de Olhão.

Desde logo, temos como primeira consequência o aumento do preço das casas, seja para vender ou para alugar. Lá como cá, os proprietários preferem alugueres de curta duração aos mais duradouros, promovendo a escassez no mercado de arrendamento.

Com uma politica habitacional muito fraca, com pouco investimento publico, para não dizer nenhum, com cobrança fiscal demasiado elevada para um bem essencial como é a habitação, promovendo a segunda habitação, estão criadas as condições para as populações locais, neste caso  os olhanenses, viverem em barracas ou guetos da periferia.

Uma autarquia que parece funcionar como agência ou promotor imobiliário, sem revelar a menor preocupação com os residentes, afinal são eles que têm a  capacidade de tentar mudar o poder através do voto, perante a passividade da generalidade das pessoas, não é de admirar aquilo que se vive em Olhão.

Bem podem fazer publicidade em torno da habitação a custos controlados como se estivessemos perante um grande investimento mas omitindo que após o concurso para atribuição das casas, entram em cena os bancos, os beneficiarios do costume, para que a autarquia recupere logo o dinheiro investido.

Toda a gente tem a percepção de que as obras de requalificação de toda a frente ribeirinha, não têm outro objectivo senão a promoção de segunda habitação (de luxo), o que conjugado com as chamadas areas de reabilitação urbana, também elas com o mesmo objectivo, fazem com que seja impossivel o acesso a uma habitação à maioria dos trabalhadores olhanenses.

Enquanto os olhanenses não se juntarem e derem uma lição ao poder politico, a situação vai-se degradar ainda mais.

É que turistas somos nós que pagamos todo o ano os bens essenciais mais caros, por influência da chamada economia de mercado, com a procura em alta a fazer subir os preços, embora não tenhamos o mesmo tipo de rendimentos dos que nos visitam.

Isto não é estar contra o turismo mas sim contra os excessos que dele resultam. 

domingo, 25 de junho de 2023

OLHÃO: A VERDADE É COMO O AZEITE, VEM SEMPRE AO DE CIMA!

 Na sequência do encerramento da passagem de nivel da Avenida e perante os comentários negativos, a câmara municipal de Olhão sentiu a necessidade de reagir, pela boca do vereador das obras publicas como se pode ver em https://www.algarveprimeiro.com/d/camara-de-olhao-empenhada-em-garantir-acesso-a-principal-passagem-de-nivel-da-cidade-/51486-1.

Pelos comentários do vereador, se duvidas houvesse, ficámos a saber que a passagem de nivel da Avenida seria encerrada aos peões logo que as obras da ponte da Rua 18 de Junho estivessem concluídas. Dito de outra maneira, a câmara e o seu staff sabiam que a passagem da Avenida era para fechar.

As obras da ponte da 18 de Junho começaram em Novembro do ano passado e se houvesse vontade politica por parte dos nossos autarcas, teriam desde logo começar a tratar da vidinha dos olhanenses, procurando uma alternativa ao encerramento, mas os oito meses que entretanto se passaram não serviram para nada.

Não será demais lembrar que a câmara municipal de Olhão levou anos sem responder às solicitações da então REFER, hoje Infraestruturas de Portugal, até se chegar ao anos de 2014. Mesmo assim, passaram-se nove anos sem encontrar uma solução. Falta de vontade politica!

Nos dias que correm, seria possivel dotar as passagens de nivel pedonais de sinalização luminosa e sonora antecedendo o encerramento delas com uma certa antecedência. Para a eventualidade de um acidente, a autarquia podia ainda fazer um seguro, retirando o ónus à Infraestruturas de Portugal. Mas tem predominado o vazio de ideias!

Claro que a responsabilidade do que se passa na parte superior do tunel é da Infraestruturas de Portugal enquanto que no interior do tunel a responsabilidade é da autarquia, pelo que a câmara podia ter ponderado a construção de um passadiço sobre-elevado no seu interior, nem nunca foi sua intenção fazê-lo. Tanto assim é que em tempos encomendou um estudo para a possibilidade de um passadiço sobre-elevado no exterior, ao qual se teria acesso por um sistema de elevadores. Estudo esse que apenas serviu para gastar o dinheiro dos municipes.

Mas a grande questão, nos dias que correm até nem é essa. O caminho de ferro divide a cidade ao meio, sendo que do lado norte ficaria o "vietname do norte" e a sul o "vietname do sul". Os sonhos do presidente para o lado sul da cidade, é transformar o lado sul numa zona elitista onde a maioria dos olhanense apenas pode trabalhar a servir de avental como criados de gente endinheirada ou vaguear pelas ruas, por não terem condições económicas para aceder è generalidade da oferta.

Tal como dizia o outro, trazes papel?

quinta-feira, 22 de junho de 2023

OLHÃO: ABRE E FECHAM PASSAGENS DE NIVEL?

 Para quem não sabe, a ponte da Rua 18 de Junho abriu ontem ao trânsito, sem a presença de qualquer responsavel autárquico, quando na abertura pedonal marcaram presença. Porquê?

Antes do mais, fazer uma critica ao que ali está feito, embora saibamos que a obra é da Infraestruturas de Portugal mas que não isenta a câmara municipal de Olhão de algumas responsabilidades.

É que tendo em conta o acentuado declive dos acessos pedonais feitos em calçada portuguesa e que o uso vai desgastar a pedra da calçada tornando-o escorregadio, é natural que venhamos a assistir a muitas quedas, como acontece noutros lugares e com menos inclinação. Por outro lado não foi previsto o acesso para pessoas com problemas de mobilidade, particularmente nos casos de cadeiras de rodas.

No lado norte-nascente colocaram uma rampa em material anti-derrapante mas no lado poente, nada! Se a nascente é possivel passar uma cadeira de rodas, a poente tal não acontece.

Porque os nossos autarcas vivem para e da propaganda, torna-se estranho a falta de comparência na abertura ao trânsito da ponte. Que se esconde por detrás disso?

Pois bem, enquanto ontem abriam a ponte, hoje fecharam a passagem pedonal superior no tunel, sem terem tido o cuidado de primeiro construir um passadiço elevado dentro do tunel. Passadiço que, em tempos de chuva mais intensa não permitirá a passagem de peões.

Mas mais, a passagem por cima do tunel no futuro breve vai ser impossivel já que a Infraestruturas  de Portugal vai construir um muro de betão.

Também não se sabe a que altura vai ser colocado o passadiço no interior do tunel porque pode tapar parte dos paineis da autoria de Jorge Timoteo, um artista cá do burgo. E se os paineis vão sofrer algum impacto negativo, era bom que ponderassem a sua colocação no novo muro, dando-lhes a visibilidade que merecem.

Como se trata de propaganda negativa, os nossos autarcas estão calados que nem ratos. Mas não se ficam por aqui as nossas desgraças. A passagem de nivel da Rua da Feira é para encerrar, pura e simplesmente enquanto que a da Rua Almirante Reis vai ter guarda.

Com os meios tecnológicos que há hoje, haveriam outra soluções para manter as passagens pedonais abertas, sem causar transtornos aos olhanenses. Pena é que desde 2014, a câmara municipal de Olhão venha fazendo um braço de ferro com a Infraestruturas de Portugal em lugar de apresentar uma alternativa válida.

Essa é a verdadeira razão para a ausência dos nossos autarcas. Eles não estão lá para servir a população olhanense!