Depois de anos a formatar a consciência das pessoas no sentido de estas aceitarem com toda a naturalidade as patifarias do Poder político, não espanta que os políticos não tenham o mínimo sentido de ética e de vergonha.
No caso, temos Luís Gomes, ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, que por ter atingido o limite de mandatos passou o testemunho à sua vice, mas manteve na integra as influências necessárias para continuar a ganhar dinheiro à conta da autarquia. Saiu nos finais de Outubro e eis que em 22-01-2018 já se preparava para sacar onze mil euros, acrescidos de IVA.
Não sabemos se este tipo de contratação não estará ferido de alguma ilegalidade, ainda que seja através de uma agência de artistas, mas no mínimo que se exigia, era de que os políticos após o abandono do exercício dos cargos, respeitassem um período de nojo, não estabelecendo quaisquer tipos de contratos com a entidade até ao momento gerida por eles.
Obviamente que aos politiqueiros da nossa praça, não interessa o período de nojo, porque nojo metem eles e as suas políticas anti-populares.
Poderão alguns dos nossos leitores acharem estranho que nos pronunciemos por uma situação que decorreu em Vila Real de Santo António, mas este cavalheiro tem fortes ligações com a autarquia de Olhão.
Desde logo com a contratação de uma arquitecta que passados poucos meses após ter renovado o contrato, se transferiu de armas e bagagens para o Município de Olhão, mas que antes apreciou cerca de setenta processos de obras enviados pela Câmara de Olhão para a Sociedade de Gestão Urbana de Vila Real, tendo tempo ainda para se pronunciar sobre o Plano de Pormenor de Olhão Noroeste, sendo que neste caso precisava ter três anos de experiência e não os tinha.
Embora tivesse desaparecido do Portal Base do Governo, este presidente recebeu também cerca de vinte e cinco mil euros, acrescidos de IVA, pela participação no espectaculo das comemorações do Dia de Olhão.
Mais recentemente foi contratado pelo Município de Olhão a titulo de consultadoria!
Parecendo uma questão menor, a verdade é que esta história dos titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos utilizarem os conhecimentos e influências adquiridos no exercício dos cargos após a sua saída lhes permite ganhar mais dinheiro do que o próprio exercício do cargo, ou seja mais vale ser ex do que ser titular, e ainda pior quando não lhes é exigido um período de nojo. Isto não é mais do que uma mera utilização oportunista da nossa classe política que deve ser combatida, pela teia de promiscuidade e compadrios que o Poder político tece.
Isto é a chamada ÉTICA política?


















