No passado, o presidente da câmara de Olhão, desde o inicio da era democrática um socialista, era por inerência do cargo, o presidente da Junta Autónoma dos Portos do Sotavento do Algarve, entidade que tutelava ou administrava as ilhas.
Quando se deu o maior surto de construções no núcleo do Farol, presidia à JAPSA, o João Bonança, o mesmo que vem dar uma entrevista, de duas páginas, ao órgão oficioso do partido socialista local, onde diz que as entidades da época sempre fecharam os olhos às construções, omitindo a sua própria responsabilidade no assunto, o que não espanta.
Na verdade, João Bonança, em determinado momento, assinou um edital onde permitia obras, e que serviu para proceder à ampliação da sua casa, e que findas as obras logo se apressou a retirar o dito cujo. Mais, o João Bonança tinha a obrigação de saber que o maior fornecedor de tijolos para as ilhas, era um funcionário da própria Junta.
João Bonança é hoje o presidente da assembleia geral da Associação de Moradores da Ilha do Farol!
A partir de 2014, quando o governo de então decidiu avançar com o processo de demolições logo se formou um grupo de contestação ou de oposição ao governo, o SOS Ria Formosa.
Existindo na Ilha uma associação representativa dos moradores, legalmente constituída, com personalidade jurídica e corpos sociais eleitos, seria com toda a naturalidade que fosse ela a tomar a cabeça da contestação, mas deixou-se ultrapassar pelo SOS, sem a mínima legitimidade por nem ter sido eleita pelos moradores.
A partir daí, o movimento de contestação passou a ter uma direcção bicéfala, falando a várias vozes, algumas vezes desencontradas, o que serviu como mel na sopa para a descarada manipulação do traste Pina.
Pina esse que enquanto presidente da câmara municipal de Olhão, não tem qualquer legitimidade para interferir em zona que administrativamente pertence a Faro, governada por uma laranja.
Apesar disso, os trastes Pina e Luís Graça, sem estarem mandatados por qualquer órgão do Poder, excepto o partido, vêm entabulando conversações, o que não é o mesmo que negociações, com o SOS, em lugar de as ter com as Associações dotadas de legitimidade para representarem os moradores do núcleo do Farol.
No caso das demolições quem representa o Estado, é o governo e a sua sociedade Polis, investida por decreto dos seus poderes, e portanto o interlocutor terá de ser, neste caso, um representante do Estado mandatado para esse fim, que não um representante do partido dito socialista.Logo Pina e Luís Graça não são interlocutores de coisa alguma, mas meros moços de recados do partido com a função de apagarem o fogo da contestação
Pela parte dos moradores, o interlucotor terá de ser necessariamente a direcção da associação, mandatada pelos moradores, que em caso de incumprimento das instruções emanadas da respectiva assembleia geral, deve ser imediatamente substituída.
Não pode de forma alguma serem reconhecidos como interlocutores válidos, de qualquer das partes, quem não esteja devidamente mandatado para o efeito, sob pena de, como é o caso, de se estar a partidarizar uma luta que é de todos.
Quem representar os moradores deve estar de boa fé, de portas abertas a todas as correntes partidárias, apelando ao seu apoio.
Não estamos mandatados para a defesa de quem quer que seja, mas em nome da verdade, devemos repudiar as atitudes de quem, em nome dos moradores, visou pessoalmente representantes partidários, quem chantageou outros por telefone, quem cercou e ameaçou jornalistas quando executavam o seu trabalho ou ameaçar moradores que entenderam denunciar manobras de bastidores.
Quanto ao futuro, sabemos de fonte segura, mas que não podemos revelar, que infelizmente, as demolições são para ser executadas tal como previsto no POOC, podendo apenas ser adiadas por forma a criar as condições que retirem o impacto eleitoral da contestação.
Assim cabe aos moradores preparem-se para a luta e abandonarem de vez a ideia de que estes bandidos disfarçados de cordeiros, como são o Pina e o Luís Graça, lhes vão resolver qualquer problema. Não podem continuar a deixar-se manipular por trastes, cuja sede de Poder os leva a vender quem neles vota.
LUTEM, PORQUE SEM LUTA, NÃO HÁ VITÓRIA!