domingo, 8 de janeiro de 2023

RIA FORMOSA: AINDA SOBRE A MORTE DA AMEIJOA

 

A imagem acima foi roubada ao meu amigo Carlos Vinhas a quem peço desculpa mas não podia deixar passar em claro aquilo que mostra.
Depois de ver atentamente a reportagem e reflectindo sobre a mesma, resolvi tecer novos comentários porque ainda há muita coisa por dizer.
Desde logo o divórcio entre a cidade e a Ria. Na verdade a maioria da população só se preocupa com a Ria para fins balneares esquecendo a importância que a mesma tem termos económicos e sociais, daí que a aposta seja quase que exclusivamente no sector turistico, assunto que abordaremos em breve. É a falta de solidariedade da população para a maior riqueza que temos.
Para aqueles que não sabem, quando a ameijoa aparece, como a imagem documenta, à superficie da terra é sinal que está morta. Bastaria isso para se perceber o impacto que isto tem.
A zona de produção de bivalves é na ordem dos 4,5 milhões de metros quadrados; segundo os estudos do IPMA deve ser observada uma densidade de 120 ameijoas por metros quadrado, o que permitia, se a qualidade ambiental fosse normal, um volume de negócios na ordem dos noventa milhões de euros, coisa que nenhum outro sector consegue alcançar nesta zona.
Ainda que algumas supostas causas tenham sido apontadas a verdade é que não se vai ao fundo da questão, talvez para não melindrar certas figuras com influência politica.
Com a publicação do Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura-Vila Real de Sº António a Barra do Lavajo ou Armona como queiram deixou de ser considerada como tal, expediente que foi invocado para depositar as condutas de agua e saneamento no seu leito, contribuindo para o assoreamento que se verifica.
Segundo documentos que deviam ser observados, aquela que era a principal barra do sistema lagunar, tinha uma abertura de 3500 metros e com um fundo que permitia que as traineiras, no passado, se pudessem fazer ao mar de pesca. Obviamente que com uma tal largura e fundo, a renovação de aguas dentro da Ria era muito maior, contribuindo para que ela cumprisse a sua natural função de maternidade e berçário de espécies piscicolas de valor e para o desenvolvimento dos bivalves.
Foi a construção da Barra de Faro/Olhão que veio alterar a hidrodinamica da Ria, sendo que as correntes maritimas no seu interior já não são as mesmas, com consequências até mesmo para as ilhas cujas areias são arrastadas pelo interior.
Com uma fraca renovação de aguas, baixar a quantidade de oxigénio e alimento para a vida no interior da Ria. Vir apontar as alterações climáticas ou a falta de chuva quando o maior problema é a falta de renovação de aguas de origem humana, é de bradar aos céus! Não passa de uma forma de branquear os crimes ambientais que são cometidos na Ria.
Fala-se também em patologias sem se avançar com uma pista. Mas devemos lembrar que há uns anos atrás, na Baia de Arcachon, a mortandade da ostra chegou a atingir os 100%. Poderá a ostra exótica importada trazer algum virus? 
Sendo transportada por terra, sem ter necessidade de passar pela Alfandega, quem procede ao controlo fito-sanitário? Até pode vir devidamente documentada mas é necessária a verificação do estado da mesma. Introduzir ostras doentes pode originar uma mortandade muito grande.
Em 2014, a Agência Portuguesa do Ambiente apresentou o Relatório da Ostreicultura, no qual se falava na poluição das mesas de ferro, algumas delas abandonadas, e numa proposta de separação das zonas de produção de ameijoa da das ostras, com areas especificas. Ninguem fez caso porque outros valores se alevantavam.
No meio disso alguem dizia que os franceses vinham ensinar os portugueses a trabalhar na Ria. Era a ganância a tomar voz!
A proibição da ostra francesa chegou a ser ponderada mas o amigo de alguem recuou na medida.
Nunca como hoje, aqueles que vivem da Ria, directa e indirectamente, precisam do apoio de toda a população para que não aconteça o mesmo que aconteceu com a industria conserveira e com a pesca. Aos poucos vamos perdendo tudo o que tinhamos! Cabe aos produtores ligarem-se à cidade e todos juntos exigirem das autoridades o que deviam ter feito há muitos anos, um plano de dragagens regulares.
Lutem!

1 comentário:

Anónimo disse...

Tudo isso é verdade, a falta oxigenação, a poluição, as alterações climáticas...
Mas a verdade é que a mortalidade é por uma doença já muito antiga da ostra produzida em laboratório e é do conhecimento e debatida em França
Aqui o ipma como sempre demonstra a incompetência propria, ou tem outros interesses
A ostra transmite para as outradsespécies a doença...
Solução retirar a ostra híbrida da ria ou limita-la a poucos espaços urgente