sábado, 17 de dezembro de 2016

Mercados de Olhão o principio de uma morte anunciada


Os Mercados de Olhão ou Praças que é como lhes chamam ainda os mais antigos filhos de Olhão, começaram a ser construído em 1912 e foram inaugurado em 1916 e é um dos muitos bons exemplos  da arquitectura em ferro. 
Por ser um símbolo histórico e emblemático de Olhão escolhemos a sua foto de 1936, para a  apresentação do nosso Blog como podem ver ao abrir o Olhão Livre.
A sua construção foi um verdadeiro bico-de-obra para a época, pois foi preciso recorrer a um bate estacas que teve de implantar 88 estacas para a consolidação de cada edifício; Ainda hoje para muitos dos olhanenses mais velhos, a zona entre as duas praças é conhecida por Bate-Estacas.

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A foto acima é de 1983 e pode-se ver as suas portas de madeira originais, que eram de duas meias portas pintadas de verde claro. Na construção da fachada foi usado tijolo maciço de barro vermelho a estrutura foi feita em pilares de ferro em I, as asnas de suporte do telhado eram em ferro forjado e suportavam um telhado em telhas de zinco.


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Os gradeamentos dos portões centrais laterais foram feitos em serralharia artística tipo Arte Nova, um estilo que em Portugal foi de  implantação tardia e de curta duração, de influência francesa, implantada entre 1905 e 1920  O que a torna característica da Arte Nova é a utilização de materiais modernos para a época, como o ferro e o betão, e as formas orgânicas, curvas e dinâmicas.


O seu mercado semanal é hoje ao sábado embora já tenha sido também ao domingo. É desde há muito a fonte de abastecimento semanal de muitas famílias olhanenses, farenses e doutros concelhos vizinhos, e actualmente, também  da comunidade estrangeira sedeada no concelho de Olhão.
Os frutos e produtos hortícolas são da melhor qualidade e de sabor insuperável,  duram perfeitamente uma ou mais semanas e em termos ambientais é do melhor que pode haver, pois a sua pegada ecológica é praticamente inexistente, pois  maior parte dos produtos são do concelho de Olhão ou dos concelhos vizinhos.


O mercado semanal ao ar livre, aos sábados de manhã, é único no Algarve e desde há muito que é a maior atração turística que Olhão tem para oferecer todo o ano.
Esta atração é feita  pelos produtores e com investimento ZERO para a C.M.Olhão, sendo que a  Empresa Municipal Mercados de Olhão  ainda cobra aos intervenientes da atração, as taxas de ocupação do terreno.

 #AlAlgarveconAirNostrum


Visitar esse mercado é sentir, ver, cheirar e saborear,  uma panóplia de cheiros cores  e sabores, que ainda hoje se misturam a regatear e a comprar. Muitos olhanenses e cidadãos das mais variadas línguas, esperam ansiosos que chegue o sábado para se regalar com tão espectacular cenário a custo Zero como actividade turística.




Esta pequena resenha histórica e descritiva serve para questionar os novos donos de Olhão, por que razão querem acabar com o que Olhão tem de melhor. Já muitas tradições de Olhão foram destruídas pela autarquia, como  o Carnaval de Olhão um dos mais antigos do Algarve, as ruas enfeitadas pelos Santos Populares, que era uma das mais concorridas celebrações Populares no Sul de Portugal, a Feira de Maio e a Feira de São Miguel. Não lhes bastou acabar com as tradições populares herdada dos nossos antepassados, agora querem dar cabo do resto que Olhão tem de melhor?


A eliminação da circulação automóvel na Zona Ribeirinha a sul dos Mercados, conforme foi hoje anunciado com Pompa e Circunstância pela CMOlhão, vai ser um golpe de mestre para acabar com o Mercado e com o mercado semanal dos sábados.Acrescente-se a isso as obras anunciadas pela CMOlhão para reduzir a Av.5 de Outubro para uma única faixa  no sentido Faro-Tavira vão impedir ou dificultar a circulação de pessoas, nomeadamente os agricultores locais que aí se deslocam, e produtos para o mercado.
O orçamento participativo esteve em votação e os resultados foram hoje anunciados. Houve várias propostas apresentadas e também houve cidadãos com cargos autárquicos impedidos de apresentar propostas (como é característico da nossa “democracia”). Entre as propostas votadas estava precisamente a eliminação da circulação automóvel na Zona Ribeirinha a sul dos Mercados.
Se a CMOlhão queria fechar o trânsito ao sul das Praças por que razão não colocou uma placa de trânsito proibido? Há muito que o trânsito é proibido a partir das 14h e não foi preciso uma votação de orçamento participativo! Custa assim tão caro uma placa de trânsito que é preciso votar? O que é que está aqui a ser escondido? Que interesses há por detrás desta proposta vencedora?
A Câmara e o seu presidente não quiseram tomar a iniciativa de proibir o trânsito para dizerem que foi o povo de Olhão a escolher essa opção e que a vontade do povo é para cumprir. Mas, tal como o próprio António Pina diz, apenas “5% da população do concelho respondeu à chamada e participou activamente na escolha dos projectos que agora serão concretizados ao longo de 2017”.
Qual é a representatividade da vontade dos olhanenses quando, ainda por cima, se sabe que andaram a angariar votos na zona das Praças, que a votação foi feita por sms e houve vício do processo como se tratasse de um concurso.
Um orçamento participativo pode ser um instrumento de democracia, mas não quando está viciado à partida, quando é feito à medida dos interesses e propostas pessoais, quando só são aceites as propostas que interessam ao presidente e aos novos donos disto tudo, quando não é representativo da população, no fundo, quando serve para enganar uma população menos atenta e fazer crer que foi o povo que votou e decidiu o que vai ser feito.
Em breve saberemos quais os interesses ocultos do fecho do trânsito a Sul das praças.

7 comentários:

Anónimo disse...

A sanha do PS no poder desde o 25 de Abril de 76, apoiada pelo PSD e o silêncio da CDU, tem dado cabo de todas as coisas genuínas de OLhão.
começaram por acabar com o Carnaval de Olhão um dos mais antigos do Algarve com o argumento que era selvagem. ficou o Carnaval de Moncarapacho onde havia tacadas de santas noites e laranja podre.
Hoje já não são os velhos que destruíram, que continuam a destruir as tradições de Olhão, são osseus filhos, que como na monarquia herdamos cargos dos papás.

Anónimo disse...

E os que fazem distribuição nessa zona da cidade, como é que vão fazer?

Anónimo disse...

Que raio de democracia é esta que cidadão foram impedidos de apresentar propostas e votar?
é mesmo democracia do clã pina

Anónimo disse...

Podemos ver que temos alguns iluminados no Governo da Nossa cidade.
As outras Localidades apostam no comercio tradicional e Feiras a nossa pelo vistos não.
Acho muito estranho alguém estar a apostar no desenvolvimento Turístico da nossa cidade e não Apostar naquilo que temos melhor.
A praça de Olhão é um monumento Vivo e muitos turistas vêm cá ver o seu funcionamento não há excursão que venha a Olhão que não vá aos mercados e tenho a certeza que não é para ver a sua extraordinária beleza da sua arquitectura, mas sim por termos um mercado a funcionar num edifício antigo sem as pessoas não passa de um edifício igual a tantos outros.
O mercado do sábado é um dos ex-libris da nossa cidade, as pessoas vêm de todo o Algarve. tanto portugueses como turistas para comprar roupa, produtos agrícolas frescos, o peixe da nossa praça e muitos aproveitam para saborear a nossa gastronomia.
Mas há iluminados que pensam para converter Olhão numa zona Turística é só fazer uns passeios
E tirar os olhanenses da Baixa para outras zonas da Cidade.

Norberta Maria Gregório do Carmo Sousa disse...

Subscrevo inteiramente o que disse.Sou olhanense, residente no campo e a minha família, há mais de um século, que mantém uma pequena horta, cujos excedentes do consumo são vendidos no mercado de Olhão, ao sábado. Saibam os Senhores autarcas que ao terminarem com esta atividade, se vão perder muitas espécies vegetais da agricultura tradicionaL, cujos sabores são únicos e que o povo olhanense tão bem conhece (o figo de pita, a ameixa reinol, a Santa Rosinha, a pêra d'água, o albricoque, o figo da mina, a nêspera algarvia, a ervilha, os legumes acabadinhos de colher...). Centenas de famílias vão ficar na pobreza, os campos vão ficar ainda mais abandonados... Todos vamos perder com isso, todos exceto as grandes superfícies que deixam de ter concorrência. Poderão vender peixe em decomposição por alto valor, couves murchas, fruta transgénica, pois não teremos mais alternativa. Sim, porque os produtores também consomem os produtos dos seus vizinhos, por vezes faz-se troca por troca. Trocam-se plantas, sementes, receitas... Em nome do nosso património biológico, gastronómico, em prol de um evento centenário, lutemos, juntos, pelos MERCADOS DE OLHÃO!!!

Cipriano disse...

Eu não sou de Olháo mas tenho aí família e a minha mãe trabalhou nos anos 40 e 50 nas fábricas da conserva e levava-me com ela,a minha avó paterna vendia peixe na praça"ainda há quem se lembre da ti Teresa"por tudo isto Olhão diz-me muito,e ê com profunda tristeza ver que é vontade da autarquia"eleita pelo povo de Olhão"acabar com o comércio na praça de Olhão para dar clientes às grandes superfícies!Será que o povo de Olhão vai deixar isso acontecer?Não esquecer que foi em Olhão que nas invasões francesas começámos a recuperar o nosso território!A praça de Olhão e o seu mercado são símbolos da cidade,não os deixemos acabar !!!

Anónimo disse...

Não acredito !!! Quais são os argumentos para tal ?!!!