quarta-feira, 11 de junho de 2008

VIOLÊNCIA GERA VIOLÊNCIA

A paralisação dos transportes de mercadorias degenerou na morte de um homem. Uma vida ceifada pela cegueira de uma classe política ao serviço do grande capital. Não será hoje que haverá acordo, não será hoje que o presidente da ANTRAM receberá o prato de lentilhas como paga por uma vida sacrificada.
A violência nunca é de aplaudir. É sempre repudiável. Mas todos nós sabemos que violência gera violência. Se antes da morte daquele homem em Alcanena já os camiões eram apedrejados, agora também são incendiados. Reprovável. Mas não deixa de ser um reflexo pela morte daquele homem como também não deixa de ser reflexo das imagens que se vêem da paralisação em Espanha. Passaram em todos os noticiários, as imagens daqueles electrodomésticos a irem ribanceira abaixo tal como durante a paralisação da pesca também vimos os espanhóis a queimarem pneus nas estradas.
É muito mau, muito mau, o que está a acontecer e não se sabe no que pode degenerar. Supermercados com prateleiras vazias, bombas sem combustíveis e vamos ver que mais virá por aí. O governo, pela boca do primeiro ministro, não está disposto a ceder. Os mais de 60% de impostos sobre os combustíveis são uma boa fonte de receita para o Estado, que não está disposto a abdicar, tornando a vida impossível a quem trabalha. Os transportes cada vez mais caros e a onerarem substancialmente os produtos de primeira necessidade. O Banco Central Europeu a aumentar a taxa de juros e os bancos portuguese encantados da vida.
Como se não bastasse, os ministros da UE aprovaram a Directiva do Tempo de Trabalho, abrindo a possibilidade de prolongar a jornada de trabalho das 48 para as 65 horas semanais. E, naturalmente, a classe política aplaude. É o trabalho escravo, somos transformados em chineses e indianos, sem tempo para os filhos, enquanto os políticos e os grandes grupos económicos engordam as suas contas. Assim, não chegamos a lado algum. Por toda a Europa a contestação vai subindo de tom, vai tomando proporções cada vez maiores. Não é só em Portugal, resta-nos como consolo. Nós até somos os mais pequenos, mas se uma França, uma Espanha e os outros países do centro europeu pegarem fogo, também saíremos chamuscados...
É, de facto, preocupante esta situação.

3 comentários:

Anónimo disse...

O problema do aumento dos preços dos combustíveis era previsível há anos e já vi documentários e li escritos sobre o assunto.
A questão é que nunca quisemos acreditar que o assunto chegaria tão cedo.
Ainda hoje há a tendência de muitos em pensarem que o assunto é conjuntural: tem a ver com a má vontade dos países produtores, das gasolineiros, dos governos, dos especuladores, etc.
Nada mais errado! Embora haja especulação e outras questões menores, o problema é mesmo estrutural. Ou seja, veio para ficar: o petróleo será cada vez mais caro e temos mesmo que inventar uma outra sociedade menos consumista de energia e, sobretudo, menos consumista de energias fósseis.
Al Gore e outros já nos avisam disto há muito tempo e agora, vai acontecer o inevitável: gente a morrer por gasolina no nosso mundo rico e gente a morrer de fome na metade do mundo pobre.
António Paula Brito

Hugo Jorge disse...

O Presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis recomenda a compra de uma bicicleta.

http://diario.iol.pt/economia/combustiveis-filas-portugal-postos-anarec/961393-4\
058.html

Saiba como utilizar a bicicleta na cidade:

http://bicicletanacidade.blogspot.com/

http://100diasdebicicletaemlisboa.blogspot.com/

Anónimo disse...

Bom vai haver ai patrões a despedir pessoal velho com uma pintarola...
FILME:
Oh pá queres trabalhar 65 horas ? assina aqui no papel! Há não queres ?
Trabalhas aqui há 20 anos ? Adeus (és o elo + fraco) Olá então o menino acabou a escola e quer vir começar a trabalhar para mim ? Então assina aqui um contrato de 65 horas com o ordenado minimo! Bom já poupei 300 Euritos pagava ao outro 700€.